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Antes de nos concentrarmos nas tarefas sindicais que se nos apresentam
pela frente, importa fazer um pequeno balanço da jornada de luta
da passada 5ª feira. Embora a greve tenha conhecido um elevado nível
de adesão, na ordem dos 75%, cremos que foi inferior ao que é
habitual, não tanto pelo facto de haver sempre quem se desculpe com
a gerência do posto, argumente com a situação económica do país,
alegue ter tido visitas políticas importantes, ou considere que não
deveríamos participar em greves gerais, mas sim pela postura de novos
colegas que dizem ser “apenas” contratados.
É
óbvio que a gerência do posto é uma desculpa, a situação económica
do país não é pior do que a de muitos colegas (e todos os dias vemos
exemplos onde se poderia poupar em mordomias para dar a quem precisa),
as visitas políticas podem ser uma ocasião mesmo a calhar para
salientar as nossas razões, é sabido que da união nasce a força, mas
gostaríamos de nos alongar um pouco mais na falta de participação de
bastantes colegas recentes.
Naturalmente
compreendemos os receios dos colegas a prazo ou em período
experimental, mas, quanto aos recém-contratados que já passaram
este período, importa contrapor o nosso raciocínio, que é
exactamente o inverso.
Aliás,
se assim não fosse, nunca teríamos criado o nosso sindicato e
lutado, décadas a fio, para deixarmos de ser, como então
nos dizia um embaixador político, “assalariados locais por ajuste
verbal”.
De
facto, já então nos remetiam para a lei local, para nos
aplicarem a que lhes convinha, e nem sequer celebravam contratos.
Também não tínhamos um sindicato forte. Só com esforço,
tempo e muitas lutas chegámos ao que temos hoje, apesar de termos perdido
o vínculo de funcionário público (que no MNE só os diplomatas
mantiveram), tendo passado ao regime de contrato de trabalho em funções
públicas, como quase todos os trabalhadores da administração pública.
Estamos
cientes de que o Governo, em especial o MNE, quer
voltar para trás tanto quanto puder, como se pode ver pelas leis
que aquele fez aprovar na Assembleia da República e pelas
normas que este vem impondo aos colegas nos centros culturais
e nos contratos com os novos colegas. Mas estamos dispostos a ir à
luta, sabendo que só esta nos tem valido e vai continuar a valer.
Ora,
nas actuais condições, os principais prejudicados serão
seguramente os trabalhadores que o MNE vem discriminando com
os novos contratos, logo são estes os que mais interesse
objectivo têm em lutar.
Se
assim não for, estarão a conformar-se com a perda de direitos e a
desperdiçar a força da estrutura sindical que a vida laboral nos
levou a construir. Daqui por uns anos recuarão para onde estávamos
e o sindicato será mais fraco (porque muitos dos mais jovens estarão
calados e quietos, no seu canto alimentando a ilusão de que assim se
salvarão), tendo de recomeçar do princípio.
Não
tem que ser nem deve ser assim: o
STCDE está aberto a todos e tem como objectivo a defesa colectiva, mas
esta só é possível com a participação e o contributo dos próprios
trabalhadores interessados.
Sejam
pois bem-vindos aos serviços externos do MNE!
Posto
isto, refiram-se as principais
tarefas que os tempos mais
próximos exigem.
Desde
logo, com o fim da discussão do Orçamento 2010, há que retomar a intervenção
junto do Parlamento no
sentido de revogar a
remissão geral para a lei local,
quer no estatuto dos colegas nos centros culturais (que não teve
qualquer andamento visível) quer nas leis que permitem ao MNE querer
impô-la.
Paralelamente
há que dar a máxima importância ao SIADAP.
Ainda no último comunicado informámos que o Governo tem mais de 100 milhões orçamentados
nesta rubrica (depois de já ter gasto mais de 80 em 2009, mas nós não
vimos um cêntimo!). O que é facto é que verificamos que as nossas ponderações/
avaliações ou não
são feitas (pelo chefe
directo), ou não são
homologadas (pelo
embaixador), ou não são
ratificadas (pelo Ministro)
ou os responsáveis acabam por não executar
os direitos constituídos pelos trabalhadores que já somam 10 pontos através
das ponderações/avaliações desde 2004.
Entretanto
o DGA já respondeu a um
posto (pelo menos) a negar
os efeitos das ponderações 2004/7,
o SG
acaba de nos oficiar que não
quer dar prémios de desempenho a trabalhadores dos serviços externos,
o I. Camões
vem mantendo a decisão de só
aplicar o SIADAP após
ter regulamento
(que não faz). Há pois que perseverar na defesa dos nossos direitos e
estamos
também a preparar mais um comunicado sobre SIADAP.
Uma
das reivindicações da greve diz respeito à actualização
2010, questão que virá a
ganhar maior pertinência, em especial para os colegas
sujeitos aos IRS locais mas não compensados
(havendo duas centenas com salários muito baixos).
Está previsto o aumento
das inflações e vem-se
registando uma desvalorização
do euro, factores
preocupantes que temos de acompanhar. A questão salarial não está
encerrada.
Constata-se
uma tendência generalizada para alterar
os horários
de trabalho em regime de
jornada contínua,
genericamente para
o regime clássico de horário
rígido. Há aqui duas
questões a ter em conta.
A
lei exige que qualquer alteração de horário
seja precedida de consulta
aos trabalhadores, donde resulta que qualquer alteração unilateral
é ilegal.
Por
outro lado o DGA, na sua postura contra
a jornada contínua, veio defender que o nosso regime
de horário não existe,
pelo que se torna necessário continuar a defender
localmente as modalidades previstas,
quer no Estatuto Profissional quer no Regulamento Consular, confrontando o DGA com o regime acordado
nos postos e obrigando-o a argumentação legal caso não concorde.
Todas
estas questões exigem, em primeiro lugar, uma postura de
luta pelos nossos direitos.
Só subsidiariamente
é que o Serviço Jurídico nos pode
apoiar, sendo que a intervenção
jurídica exige formulação
cuidadosa da situação,
clareza na pretensão,
respeito pelos prazos
e as provas documentais
disponíveis. Se não lutarmos e, quando for caso disso, não
fornecermos ao SJ os elementos necessários, não nos estamos a defender
convenientemente.
Voltamos
a lembrar que a Assembleia Geral 2010 terá lugar em Paris (Montreuil)
no sábado dia 8 de Maio, e será antecedida de uma conferência-debate
sobre SIADAP. Na próxima semana sairá um comunicado sobre este
momento alto da nossa vida sindical.
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