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Trabalhadores do MNE nos EUA dispostos a ir para a greve
Sindicato e trabalhadores criticam lentidão do MNE na resolução do problema
Mantêm-se
a expectativa quanto à resolução cabal e urgente da dupla tributação
dos funcionários do MNE em serviço nos EUA que, a não ser resolvida
rapidamente, levará à greve nos postos de Portugal daquele país
(Embaixada, Missão/ONU e Consulados). Em
comunicado hoje distribuído aos sócios, o STCDE lamenta “não ter
havido qualquer evolução positiva nestas últimas semanas, não havendo
qualquer compromisso sobre as datas de devolução de tudo o que
retiveram ilegalmente desde Janeiro de 2004 a Setembro deste ano”. “Não
há garantia de compensação em IRS do pessoal contratado, sujeito
também a obrigações fiscais, do pagamento dos milhares de dólares
de juros ao fisco americano e também não foi respondida a questão
do pagamento dos impostos a nível estadual, a que os trabalhadores
ficaram sujeitos, incluindo mais juros e penalidades”. Perante
tal situação, os trabalhadores reclamam a devolução do que lhes foi
“retido na fonte” e compromissos firmes quanto às restantes matérias,
tanto mais ficaram obrigados a cumprir adiantamentos trimestrais por conta
dos impostos, sendo que a terceira prestação deste ano, é vencida na próxima
2ª feira, dia 15, sob pena de ainda mais juros e penalizações”, refere
o comunicado sindical. A
não se verificar a resolução rápida desta matéria,
o sindicato reitera o apoio aos trabalhadores afectados, que estão
dispostos a avançar para uma paralisação do trabalho que impedirá o
funcionamento das missões diplomáticas e postos consulares de Portugal nos
EUA. Caderno
Reivindicativo actualizado entregue ao MNE Informa
também o referido comunicado que o STCDE procedeu já ao envio de Caderno
Reivindicativo actualizado ao Ministro dos Negócios estrangeiros e outras
entidades, solicitando a abertura de processo negocial. De
entre as principais preocupações constantes do Caderno, ressalta a necessidade
de abertura de concursos para lugares de chefias que se encontram vagos
desde há muito, assim como para técnicos e administrativos,
muitos deles aguardando uma hipótese de promoção há 15 anos. A
actualização salarial para o próximo ano é também uma preocupação, não
sendo de admitir os atrasos que se verificaram em anos anteriores. Refere
ainda o sindicato não se conformar com a imposição de uma percentagem
global idêntica à que é atribuída à função pública em Portugal, como
tem acontecido nos últimos anos, a qual não cobre metade da perda de poder
de compra em muitos dos países onde trabalha o pessoal dos serviços
externos do MNE. Contratação
precária
– é outro tema do Caderno Reivindicativo. É inadmissível que o Estado
esteja a desenvolver uma política de recursos humanos precária para
satisfazer necessidades permanentes de serviço, através do permanente
recurso aos contratos a prazo, constituindo
já este tipo de contratos cerca de 25% dos efectivos nos serviços
externos. Outro
tema de forte descontentamento é a extinção da formação
profissional,
agora que tanto se fala em “qualificação dos recursos humanos” e sendo
a mesma exigida por lei para a avaliação do desempenho. Acresce ainda, a falta
de cobertura em matéria de segurança social
que se verifica para cerca de 200 trabalhadores.
Por último, mas não menos importante, é a inexistência de regras legais para os trabalhadores dos Centros Culturais do Instituto Camões, que vinha sendo abordada com a Direcção do Instituto, mas cuja finalização vem sendo impedida pela tutela.
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